A Lei Seca não conseguiu reduzir o número de acidentes fatais no Estado de São Paulo.
Em vigor há um ano, a medida que endureceu as punições para quem dirige embriagado fez esses índices caírem 4,9% no Estado e 3,2% na Capital- porcentuais considerados "decepcionantes" por especialistas em segurança de trânsito.
O estudo, realizado pela Secretaria de Segurança Publica e divulgado ontem, levou em conta o registro de homicídios culposos (sem intenção de matar) em acidentes de transito no ano anterior a Lei Seca e no primeiro ano de vigência da medida. O impacto foi maior nos acidentes menos graves, sem mortes, registrados como lesões corporais. Nesse caso, a queda foi de 15% na Capital e de 22% no Estado.
Mas mesmo esses índices podem ser menores. Segundo Túlio Khan, coordenador de análise e planejamento da SSP, a greve da Policia Civil, entre setembro e novembro do ano passado, pode ter causado subnotificações de casos sem gravidade. "A conclusão e que em relação aos homicídios culposos o efeito da Lei Seca ainda e incerto."
Entre os acidentes não fatais, a queda começou a ficar mais evidente a partir de setembro de 2008. A média mensal de registros foi de 266 casos a menos no Estado e 64 na Capital. Foi uma decepção. “Achavamos que o impacto seria maior”, disse a médica Júlia Greve, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.
O secretário nacional de Políticas sobre Drogas, Paulo Roberto de Miranda Uchoa, admite que os dados não são excelentes, mas observa tendência de queda. A redução no número de acidentes ficou comprometida, segundo ele, pela quantidade reduzida de bafômetros nos primeiros meses da medida, o que prejudicou a fiscalização.
"Mas agora já temos 10 mil equipamentos sendo distribuídos no País e esperamos que a população acredite ainda mais na lei", disse. Na Capital, dados da Companhia de Engenharia de Tráfego indicam queda de 8,9% nos acidentes fatais. (AE)
Diário do Comércio
11/09/2009
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